No dia 7 de novembro, o município de São Cristóvão recebeu sua terceira Vivência Formativa, com o tema “Educação Emocional na Perspectiva da Pedagogia da Gratidão no Ensino de Língua Inglesa”, conduzida por Marcos Barros, integrante do grupo de pesquisa Cuidar de Si, atrelado à UFPE e que é parceiro da Editora Futura.

O encontro começou com um convite sensível e acolhedor: revisitar a própria infância. As educadoras compartilharam lembranças marcantes, desde o antigo desejo de se tornarem professoras de inglês até histórias de férias cercadas por primos, em convivências familiares cheias de afeto. O provocador trouxe então um momento de cuidado e autorreflexão ao convidá-las a escrever uma mensagem para a sua “eu” da infância. Os relatos revelaram conselhos sobre obediência, sonhos alcançados, conquistas acumuladas e a busca constante por equilíbrio emocional na vida adulta. A reflexão avançou para uma nova pergunta: o que restou da criança que habita cada uma delas hoje? As respostas trouxeram doçura, tranquilidade e empatia, características que muitas vezes são desafiadas nas turmas atuais. Também surgiram histórias de transformação, como a de uma professora que narrou sua mudança de trajetória ao trocar a engenharia de alimentos pela sala de aula de inglês. Em seguida, após revisitar vídeos e objetos simbólicos do trabalho docente, como a xícara de café e o livro que representa o conhecimento, o provocador conduziu a construção de uma espiral visual. Nesse movimento simbólico, as participantes representaram sua infância, adolescência e fase adulta na forma de uma mandala, destacando momentos de felicidade, surpresas, descobertas e conquistas pessoais.

A pergunta que fechou a atividade foi simples e profunda: qual movimento eu preciso fazer para encantar os meus alunos? A formação reafirmou que trabalhar emoções em sala de aula parece utopia, mas é uma necessidade urgente. É puxar o aluno pelos sentimentos, trazer para perto, validar suas vivências.

Logo depois, surgiu a discussão trazida por Sotigui: como cada aluno chega à sala de aula? Com quais sentimentos? Que histórias carregam? Essa pergunta abriu espaço para quatro vídeos curtos que tratavam de temas essenciais. Entre eles, a provocação sobre escolas sérias que, ao mesmo tempo, precisam ser espaços alegres e cativantes. Mas como fazer isso quando os próprios professores estão tristes? E, mais do que isso, como encantar nossos alunos em meio aos desafios diários? Para aprofundar essas reflexões, Marcos convidou as professoras a caminhar pela escola e registrar em uma fotografia algo que representasse o impacto dos vídeos. As imagens revelaram muito das práticas e sensibilidades de cada uma.

O formador apresentou atividades desenvolvidas anteriormente, todas marcadas pela interação e pela conexão humana, e foi nesse contexto que surgiu um dos momentos mais fortes da formação: o relato de uma professora sobre um aluno que não tinha sapatos e usava uma sandália cortada ao meio. Ao presenteá-lo com um tênis, ela viveu uma cena profundamente emocionante, reafirmando a ideia de que educação muda quando “gente cuida de gente”. Outras partilhas também trouxeram memórias afetivas importantes, como a pulseira feita pela avó de uma das professoras e o brinquedo de madeira construído pelo pai, objetos que serviram de ponto de partida para reflexões sobre estratégias de aprendizagem, cuidado de si e possibilidades pedagógicas. A partir desses símbolos, o formador convidou o grupo a trocar objetos entre si e criar atividades que dialogassem com temas escolhidos, gerando propostas criativas que uniam números, pronúncia, cores, recortes e até premiações para engajar os alunos.

No momento final, as professoras compartilharam suas mandalas e as histórias que transformaram suas vidas, como viagens inesperadas para cuidar de familiares na Alemanha, a primeira experiência fora do país e vivências marcantes em programas educacionais, como o inglês sem fronteiras. Em seguida, revisitaram o livro sobre estratégias didáticas para vivenciar o cuidar de si em sala de aula, utilizado na formação, e refletiram sobre temas que poderiam inspirar novas estratégias de ensino, buscando maneiras de aproximar inglês, educação emocional e cuidado de si usando apenas os recursos disponíveis nas escolas. As ideias que surgiram dialogavam com autoestima, filmes, desenhos, cards e adjetivos, sempre valorizando a sensibilidade que cada atividade é capaz de despertar.

O encontro se encerrou com uma mensagem de potência. O professor é veículo de motivação. É referência. É inspiração. E, mesmo em dias difíceis, continua sendo uma das maiores presenças na vida de cada aluno.