O uso de narrativas estruturadas vai muito além da contação de histórias tradicional; trata-se de um recurso estratégico para consolidar o aprendizado. Com essa perspectiva, o município de Ceará-Mirim recebeu a sexta formação do projeto, voltada ao tema “Storytelling no Ensino de Língua Inglesa”. Sob a condução da formadora Isabel Borges, os professores da rede se reuniram para uma jornada prática que articulou identidade cultural, desenvolvimento do pensamento criativo e ferramentas digitais.

O ponto de partida do encontro foi a análise da música Tareco e Mariola. A partir dos versos da canção, os participantes destrincharam o contexto e a história por trás da composição, o que serviu como introdução para uma premissa fundamental: tudo ao nosso redor carrega uma narrativa oculta. Para expandir essa percepção aos sentidos, Isabel utilizou óleos essenciais, desafiando os educadores a identificarem memórias e relatos pessoais ativados exclusivamente pelo estímulo olfativo.

A conexão com o território ganhou força com a exibição de um vídeo sobre o Ceará-Mirim. O grupo foi provocado a refletir sobre o quanto os próprios estudantes conhecem a fundo a realidade e a história do lugar onde vivem. Cada professor recebeu um papel para registrar, na língua inglesa, três palavras-chave definidoras da cidade, um elemento cultural marcante e uma lembrança pessoal.

Essas reflexões fundamentam o conceito do homo fictus que é a ideia de que a mente humana é biologicamente programada para narrar e de que o storytelling atua como ferramenta essencial de sobrevivência e conexão social. Ao compartilharem suas experiências práticas na sala de aula, os docentes discutiram a urgência de incentivar a inovação no ambiente escolar. O grupo debateu o conceito de criatividade, compreendida como a capacidade de dar respostas novas a velhos problemas através da flexibilidade e da adaptação. Os educadores concordaram que o ponto de partida do pensamento criativo está na liberdade para gerar ideias inovadoras e, em seguida, encontrar caminhos para aplicá-las na rotina de ensino.

Na etapa final, a teoria deu lugar à prática com a introdução da técnica de Stop Motion. Após assistirem a um vídeo explicativo apresentado pela formadora, os professores se dividiram em equipes com a missão de roteirizar e produzir seus próprios curta-metragens. Utilizando os conceitos aprendidos, os grupos criaram animações que retratam desde lendas locais até realidades cotidianas de suas cidades. O exercício de cooperação resultou em produções criativas que evidenciaram o papel do storytelling como uma metodologia ativa, capaz de aproximar o ensino da língua inglesa da identidade cultural dos estudantes.