Existem encontros pedagógicos que ultrapassam a teoria e tocam naquilo que nos faz humanos. Em Pedro Avelino, no Rio Grande do Norte, a sexta formação do projeto trouxe como tema central o “Storytelling no Ensino de Língua Inglesa”. Sob a condução acolhedora da formadora Isabel Borges, os professores da rede mergulharam em uma experiência viva, onde a arte de contar histórias foi redescoberta como uma ponte para o engajamento, a criatividade e, acima de tudo, o afeto.

O tom do encontro se desenhou logo nos primeiros acordes da música Tareco e Mariola. A audição abriu espaço para um debate instigante sobre as camadas de uma composição: as primeiras impressões do grupo confrontaram-se com a história real por trás da letra, mostrando que toda narrativa guarda segredos a serem descobertos. Na sequência, os educadores foram convidados a olhar para o próprio chão. Através de um vídeo sobre Pedro Avelino, aceitaram o desafio de traduzir a própria terra em inglês, anotando três palavras-chave que definem o município, um elemento cultural marcante e uma memória afetiva que carregam no peito.

Essa costura entre passado e presente ganhou contornos ainda mais profundos quando o grupo foi transportado para a origem de tudo: as pinturas rupestres. Ao observarem os registros ancestrais, os professores decifraram os sentimentos e as mensagens que aquelas primeiras comunidades queriam expressar, compreendendo que contar histórias é uma necessidade vital da nossa espécie. Esse movimento inspirou conversas sobre o cotidiano escolar. O grupo debateu dados do PISA e refletiu sobre uma pergunta urgente: como anda a criatividade nas nossas escolas? A partir daí, o Storytelling se firmou não apenas como recurso didático, mas como uma ferramenta poderosa capaz de acalmar uma turma agitada, capturar a atenção dos alunos e aproximá-los do uso real da linguagem.

O encontro seguiu com os professores circulando pela sala, lendo as entrelinhas de fotografias dispostas pelo ambiente e imaginando as narrativas que aconteciam em cada cena. O estímulo aos sentidos continuou com uma dinâmica envolvendo óleos essenciais; ao sentirem os diferentes aromas, os docentes resgataram lembranças guardadas na memória olfativa e compartilharam histórias marcantes.

Após assistirem a um vídeo do projeto Palavra Cantada para buscar inspiração, os professores assumiram o papel de autores. Eles escolheram episódios e fatos reais que marcam a história de Pedro Avelino e criaram narrativas inteiramente novas. Com muita colaboração, desenharam os roteiros, deram vida a personagens e apresentaram suas criações em um momento de entrega absoluta.

O ápice da sensibilidade, porém, materializou-se em um gesto coletivo. Juntos, todos os professores moldaram com massa EVA a figura de um aluno sobre um quadro. Em seguida, foram desafiados a retirá-lo dali e, em círculo, passar aquele boneco de mão em mão, com extremo cuidado e delicadeza. O exercício silencioso trouxe uma das reflexões mais bonitas do dia: muitos dos estudantes que entram diariamente nas salas de aula, especialmente os mais frágeis, precisam exatamente disso: de um olhar atento, de cuidado e de carinho.

A formação em Pedro Avelino foi encerrada com a certeza de que ensinar inglês por meio de histórias é, no fundo, uma forma de acolher a identidade do aluno e lembrar que a educação se faz, passo a passo, criando conexões reais.